O animal satisfeito dorme (Guimarães Rosa)
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sábado, 2 de janeiro de 2010

Comportamentos de mobilidade ofensiva

Partindo daquilo que ee mais importante para o ataque, como seja o espaco, fundamentalmente aquele que se encontra mais perto da baliza adversaria, o processo ofensivo acabara por ter como objetivo a criacao de espacos em zonas favoraveis para a finalizacao, ou antes para a criacao dessas mesmas situacoes.

No entanto, pela dificuldade que o ataque encerra perante uma maior simplicidade das tarefas defensivas, fundamentalmente a nivel tecnico, exige-se coordenacao e velocidade as suas acoes, principalmente a fim de aproveitar as configuracoes favoraveis, que genericamente sao momentaneas. Este autor cita Mahlo, que ja em 1966 referia cinco caracteristicas fundamentais a reter das acoes ofensivas: fluidez da acao, variabilidade, antecipacao, precisao e autonomia.

Sabemos, no entanto, que a velocidade de decisao e execucao sera tanto maior quanto menos o numero de jogadores e mais o espaco disponivel, no que diz respeito ao ataque, pelo que precisamente o numero de elementos a intervir e a zona do terreno em que a acao se realiza tera de ser tido em conta. Por isso, Castelo fala-nos de coerencia e equilibrio nas acoes tatico-tecnicas individuais e coletivas, na relacao com o sistema de jogo e tarefas taticas, a ocupacao racional do espaco de jogo, a resolucao de situacoes momentaneas do jogo e certas solucoes estereotipadas de partes do jogo.

Assim, procuraremos identificar alguns movimentos de mobilidade a nivel grupal, a acao de mobilidade no projeto coletivo, bem como dissecar na relacao com a zona do terreno, o momento de jogo (transicao ofensiva e organizacao ofensiva) e a posicao especifica de cada jogador.

* Intervencao Grupal:

As combinacoes taticas ou grupais visam a criacao de condicoes favoraveis momentaneamente, em termos numericos, espaciais e temporais, a fim de perseguir os objetivos de progressao e/ou finalizacao.

Hughes e Castelo definem algumas categorias e elementos de combinacao:

> Combinacoes simples:
Sao situacoes que reportam combinacoes a 2, ou passa-e-sai, que se baseiam na fixacao do adversario; para tal, temos as seguintes referencias:

- Jogador com bola conduz esta sobre o adversario direto, no sentido de um companheiro o cruzar para se libertar, dificultando as acoes de dobra e coberturas defensivas (cross-over);

- Um jogador com bola fixa o defensor, sendo que um jogador mais recuado da propria equipe o cruza pelas costas, beneficiando da atracao ao portador da bola (overlap);

- Dentro destas acoes, o passe pode ou nao ser realizado, dependendo da atencao ser fixada sobre a bola ou o jogador em desmarcacao, ou seja, do local de disponibilidade do espaco;

Combinacoes diretas
Sao combinacoes do tipo um-dois ou passa-e-sai, no aproveitamento rapido do espaco nas costas do defensor em contencao, que se baseiam no passe e devolucao rapidas.

Combinacoes indiretas
Combinacoes de tres jogadores, ond eo jogador que realizou o primeiro passe nao conseguiu libertar-se da pressao defensiva, deixando que o espaco em torno desse adversario direto seja aproveitado por um terceiro jogador.

Podemos incluir nesta categoria penetracoes sem bola com deslocamentos interiores ou exteriores, atraindo o adversario direto, dando espaco para um colega penetrar num espaco sem oposicao.

Assim, todas estas combinacoes, por uma maior simplicidade e coordenacao de um pequeno grupo de jogadores, poderao significar um acrescento de qualidade ao desempenho da equipe que, em determinado momento e determinado espaco do terreno, relativizando-se a sua configuracao, podera assumir comportamentos de maior incidencia e progressao ofensivas.

Um entendimento de oposicao

Claramente, o maior constrangimento do ataque trata-se da organizacao defensiva adversaria, ja que ee esta que restringe o tempo, o espaco e, consequentemente, as ligacoes e tomadas de decisao dos jogadores.

Para que seja possivel entender o ataque e as suas multiplas formas, ee fundamental que se faca assentar numa capacidade de suplantar as dificuldades causadas pelo opositor, a fim de lhe criar igualmente restricoes para procurar os proprios objetivos da equipe. O conhecimento do adversario faz-se pelas suas componentes mais gerais, como sejam os principios da modalidade e os processos defensivos, partindo depois para a configuracao mais especifica de cada equipe.

Comecaremos assim por dissecar os principios da organizacao defensiva, que se classificam basicamente no contraponto com os principios ofensivos: contencao, cobertura defensiva, equilibrio e concentracao.

Baseando-se nos autores anteriores, percebemos que a contencao ee a acao de impedir o atacante com bola de finalizar e de progredir, limitando a sua capacidade de decisao pela diminuicao do tempo e do espaco, dando tempo para a organizacao defensiva e para a recuperacao de bola em condicoes mais favoraveis. Como a pretensao do ataque ee a finalizacao eficaz, a intensidade desta devera ser maior de acordo com a proximidade a baliza de quem defende, em equilibrio com as possibilidades de recuperacao (existencia ou nao de coberturas defensivas e ofensivas, qualidade tecnica dos intervevientes.

A cobertura defensiva caracteriza-se pelo apoio ao jogador que pressiona o elemento com bola, a fim de limitar o espaco nas costas e circundante, apoiando-o na sua tarefa de roubar a posse de bola ou de o ajudar caso este seja ultrapassado. Como vimos antes, a funcao de cobertura defensiva tem um papel fundamental na agressividade da defesa, pelo que a diposicao da equipe em cobertura no momento afigura-se como impreterivel.

O equilibrio ee claramente o contra-ponto a mobilidade ofensiva do adversario, no sentido de procurar manter a estabilidade defensiva da equipe.

Desta forma, este principio procura esclarecer que o meio fundamental para tal passa pelo fecho dos espacos e de jogadores livres e a cobertura de eventuais linhas de passe no centro do jogo, atraves da coordenacao das acoes defensivas, com fim ao reajustamento das movimentacoes moveis dos adversarios, constrangendo assim as acoes ofensivas, direcionando-as para o local desejado e da forma desejada.

Por ultimo, o principio da concentracao determina que os jogadores, em momento defensivo, devem posicionar-se no terreno de forma a retirar aquilo que mais o ataque necessita: espaco as acoes ofensivas no caminho para a baliza, isto e, profundidade e largura.

Os principios que dissecamos anteriormente sao abrangidos pelas equipes na sua globalidade, ainda que cada coletivo possua a sua configuracao particular, uma organizacao especifica; em momento defensivo, tal resulta em diferentes processos de defesa.

No entanto, a defesa, enquanto conjunto, coordena a sua acao de acordo com uma definicao: o conceito de marcacao. Queiroz define marcacao como o conjunto de acoes individuais de natureza defensiva, desenvolvidas no absoluto respeito pelos principios da defesa e que visam a anulacao e cobertura dos adversarios e espacos livres. Amieiro, por seu turno, aborda o valor da marcacao como sendo especifica, reportando que a importancia dada as possiveis referencias-alvo de marcacao e a enfase que se coloca em cada uma das referencias de posicionamento resultam em diferentes concepcoes para a organizacao defensiva.

A racionalizacao das acoes defensivas, mas fundamentalmente a logica com que se processam, sao constantes do processo defensivo, algo que sendo do conhecimento por parte da equipe que se encontra a atacar, podera tornar-se um trunfo com vista a atingir os objetivos pontuais rumo aos objetivos finais.

Objetivos da mobilidade ofensiva

A complexidade de uma atitude movel dinamica dos jogadores dentro de uma equipe exige precisamente uma relacao forte e conseguida entre os seus elementos, ja que apenas um entendimento comum dos objetivos do coletivo no momento servira para o funcionamento do conjunto.

A mobilidade consubstancia um conjunto de comportamentos individuais e coletivos que visam a superiorizacao sobre o adversario, procurando tirar partido disso para concretizar em gols a instabilidade do rival, muitas vezes momentanea.

Assim, podemos dizer mais particularmente que a mobilidade ofensiva possui os seguintes objetivos:

- Criacao de espacos livres: a disponibilizacao de linhas de passe em zonas mais vantajosas do terreno, seja por arrastamento da marcacao, seja para arrastar a marcacao, ou mesmo para tirar partido de algum espaco mais proveitoso, sao marcas do pensamento criativo e da maturidade tatica; a forma como se realiza depende essencialmente de quem se desmarca e de quem possui a bola, relativizando a ideia de jogo da equipe;

- Desequilibrar o centro do jogo defensivo: tendo a defesa igualmente como referencia a bola, bem como o fecho de caminhos importantes para o adversario, ee necessario insistir em entradas a fim de quebrar as ligacoes do adversario, apostando na variabilidade dinamica e posicional dos jogadores;

- Tornar o jogo ofensivo imprevisivel do ponto de vista defensivo: a surpresa e criatividade sao indicadas como elementos essenciais ao sucesso ofensivo da equipe, mas desde que dai surja um entendimento que torne capaz o aproveitamento de espacos que surgem no momento ou aparecimento de elementos em zonas fora do centro de percepcao do adversario;

- Assumir outras funcoes no centro do jogo ofensivo: se com cada posicao relacionarmos uma funcao, sabemos que a troca posicional determina igualmente a consciencializacao de uma nova funcao ("mentalidade de zona"), o que permite surpreender o adversario confundindo as suas marcacoes, bem como a entrada de um jogador novo para novas funcoes podera trazer uma dinamica diferenciada para a equipe em momento ofensivo;

- Deslocar-se para fora do centro do jogo ofensivo: tal permitira atrair o adversario para a criacao de espacos intra-equipe defensora, ou a dinamica da propria equipe determina uma tendencia que permite a disponibilizacao de espacos onde entram jogadores para a criacao de situacoes de perigo;

A mobilidade baseia-se na necessidade de criar situacoes de superioridade sobre o adversario, revendo-se tal nestes objetivos; desta forma, a dinamica particular de cada equipe leva a que haja um entendimento diferenciado da importancia deste principio de jogo, de acordo com a configuracao especifica de cada coletivo.

No entanto, a mobilidade surge precisamente pela presenca de oposicao do adversario, exigindo-se a compreensao basica das referencias sobre as quais podera assentar a forma de defender da equipe contraria.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O futebol é mais do que a bola: Continuação da Parte IV

Obs: O conteúdo abaixo foi retirado do Artigo de Divulgação "Princípios Táticos do Jogo de Futebol: conceitos e aplicação". Os créditos pelo autoria são de Israel Teoldo da Costa.

Princípios Táticos do Jogo de Futebol:

Define-se princípios táticos como um conjunto de normas sobre o jogo que proporcionam aos jogadores a possibilidade de atingirem rapidamente soluções táticas para os problemas advindos da situação que defrontam.

Princípios Gerais:

Os princípios gerais recebem essa denominação pelo fato de serem comuns as diferentes fases do jogo e aos outros princípios (operacionais e fundamentais), pautando-se em três conceitos advindos das relações espaciais e numéricas, entre os jogadores da equipe e os adversários.

- Tentar criar superioridade numérica;
- Evitar a igualdade numérica;
- Não permitir a inferioridade numérica;

Princípios Operacionais:

Os princípios operacionais são as operações necessárias para tratar uma ou várias categorias de situações. Portanto, eles se relacionam a conceitos atitudinais para as duas fases do jogo (ataque e defesa).

Princípios Operacionais de Ataque (com posse de bola):

- Conservar a bola;
- Construir ações ofensivas;
- Progredir pelo campo de jogo adversário;
- Criar situações de finalização;
- Finalizar ao gol adversário;

Princípios Operacionais de Defesa (sem posse de bola):

- Impedir a progressão do adversário;
- Reduzir o espaço de jogo adversário;
- Proteger seu gol;
- Anular as situações de finalização;
- Recuperar a bola;

Resumo dos objetivos de cada princípio das fases ofensiva e defensiva:

Princípios Táticos Fundamentais da Fase Ofensiva:

PENETRAÇÃO:

- Desestabilizar a organização defensiva adversária;
- Atacar diretamente o adversário ou o gol adversário;
- Criar situações vantajosas para o ataque em termos numéricos e espaciais;

COBERTURA OFENSIVA:

- Dar apoio ao portador da bola oferecendo-lhe opções para a sequência do jogo;
- Diminuir a pressão adversária sobre o portador da bola;
- Criar superioridade numérica;
- Criar desequilíbrio na organização defensiva adversária;
- Garantir a manutenção da posse de bola;

MOBILIDADE:

- Criar ações de ruptura na organização defensiva adversária;
- Apresentar-se em um espaço muito propício para a obtenção do gol;
- Criar linhas de passe em profundidade;
- Conseguir o dominio da bola para dar sequencia a ação ofensiva (passe ou finalização);

ESPAÇO:

- Utilizar e ampliar o espaço de jogo efetivo da equipe;
- Expandir as distâncias/posicionamentos entre os jogadores adversários;
- Dificultar as ações de marcação da equipe adversária;
- Facilitar as ações ofensivas da equipe;
- Movimentar para um espaço de menor pressão;
- Ganhar tempo para tomar a decisão correta para dar sequencia ao jogo;
- Procurar opções mais seguras, atráves do jogadores posicionados defensivamente, para dar sequencia ao jogo;

UNIDADE OFENSIVA:

- Facilitar o deslocamento da equipe para o campo de jogo adversário;
- Permitir a equipe atacar em unidade ou em bloco;
- Oferecer mais segurança as ações ofensivas realizadas perto da bola (portador da bola);
- Propiciar que mais jogadores se posicionem perto da bola (portador da bola);
- Diminuir o espaço de jogo no campo defensivo;

Princípios Táticos Fundamentais da Fase Defensiva:

CONTENÇÃO:

- Diminuir o espaço de ação ofensiva do portador da bola;
- Orientar a progressão do portador da bola;
- Parar ou atrasar o ataque adversário;
- Propiciar mais tempo para a organização defensiva;
- Restringir as possibilidades de passes a outro jogador adversário;
- Evitar o drible que favoreça progressão pelo campo de jogo em direção ao gol;
- Impedir a finalização a gol;

COBERTURA DEFENSIVA:

- Servir de novo obstáculo ao portador da bola, caso esse passe pelo jogador de contenção;
- Transmitir segurança e confiança ao jogador de contenção para que ele tenha iniciativa de combate as ações ofensivas do portador da bola;

EQUILÍBRIO:

- Assegurar a estabilidade defensiva na região de disputa da bola;
- Apoiar os companheiros que executam as ações de contenção e cobertura defensiva;
- Cobrir eventuais linhas de passe;
- Marcar potenciais jogadores que podem receber a bola;
- Fazer recuperação defensiva sobre o portador da bola;
- Recuperar ou afastar a bola da zona onde ela se encontra;

CONCENTRAÇÃO:

- Aumentar a proteção ao gol;
- Condicionar o jogo ofensivo adversário para zonas de menor risco do campo de jogo;
- Propiciar aumento de pressão perto da bola (portador da bola);

UNIDADE DEFENSIVA:

- Permitir a equipe defender em unidade ou em bloco;
- Garantir a estabilidade espacial e sincronia dinâmica entre as linhas longitudinais e transversais da equipe em ações ofensivas;
- Diminuir a amplitude ofensiva da equipe adversária na sua largura e profundidade;
- Assegurar linhas orientadoras básicas que influenciam as atitudes e os comportamentos tático-técnicos dos jogadores que se posicionam longe da bola (portador da bola);
- Equilibrar ou reequilibrar constantemente a repartição de forças da organização defensiva consoante as situações momentâneas de jogo;
- Reduzir o espaço de jogo utilizando a regra do impedimento;
- Obstruir possiveis linhas de passe para jogadores que se encontram longe da bola (portador da bola);
- Possibilitar a participação em uma ação defensiva subsequente;
- Propiciar que mais jogadores se posicionem perto da bola (portador da bola);

domingo, 11 de outubro de 2009

O futebol é mais do que a bola: Continuação da Parte IV

Obs: O conteúdo abaixo foi retirado do Artigo de Divulgação "Princípios Táticos do Jogo de Futebol: conceitos e aplicação". Os créditos pelo autoria são de Israel Teoldo da Costa.

Princípios Táticos Fundamentais da Fase Ofensiva:

Esses princípios contribuem para que os jogadores, tanto os mais distantes como os mais envolvidos diretamente perto da bola (portador da bola), orientem suas atitudes e seus comportamentos tático-técnicos em prol do objetivo da equipe, ou seja, conduzam a bola para áreas vitais do campo de jogo e marquem gol.

O cumprimento desses princípios favorecem as condições em termos de espaço e tempo para a realização da tarefa, isto é, maior número de jogadores próximos a bola (portador da bola), maior facilidade para executar as ações tático-técnicas ofensivas e maior possibilidade de criar instabilidade na organização defensiva da equipe adversária.


> PENETRAÇÃO:

Se caracteriza pela evolução do jogo, em situações onde o portador da bola consegue progredir em direção ao gol ou a linha de fundo adversária, em busca de áreas do campo que oferecem maior risco ao adversário e são favoráveis a continuidade da ação ofensiva, finalização ou marcação do gol.

As regras desse princípio se orientam na busca da desorganização da defesa adversária, criando situações vantajosas ao ataque em termos espaciais e numéricos, que permite ao(s) jogador(es) atacante(s) surgir(em) em uma zona vital do campo, favorável a finalização.

As ações características desse princípio são os dribles e avanços que diminuem o espaço entre o portador da bola e a linha de fundo adversária, originando cruzamentos ou deslocamentos em direção a área penal adversária.

> COBERTURA OFENSIVA:

Está relacionado as ações de aproximação dos companheiros de equipe ao portador da bola, de forma que ele tenha opções ofensivas para dar uma sequencia ao jogo, atráves do passe ou por uma ação de penetração na defesa adversária.

As regras desse princípio imaginam a simplificação da resposta tático-técnica do portador da bola a situação de jogo, a diminuição da pressão dos adversários sobre o mesmo, o aumento de manutenção da posse de bola e, de certa forma, a formação do equilíbrio coletivo que beneficia as primeiras ações defensivas em caso do jogador perder a bola para a equipe adversária.

As ações desse princípio podem ser percebidas quando os companheiros do portador da bola se posicionam no campo de jogo de forma a receber a bola e a dar continuidade a jogada, realizando, por exemplo, tabelas ou triangulações com o portador da bola. Considera-se que o jogador cumpriu o princípio de cobertura ofensiva quando ele se posiciona perto da bola (portador da bola) e abre possibilidade de uma linha de passe ao portador da bola, permitindo-o passar-lhe a bola.

> MOBILIDADE:

Esse princípio está relacionado a iniciativa do(s) jogador(es) de ataque, sem a posse de bola, em buscar posições ótimas para receber a bola. Dentre as variações movimentações, denominados de mobilidade de ruptura a movimentação do atacante nas costas do último homem de defesa, de forma a criar instabilidade nas ações defensivas da equipe adversária e a aumentar as chances de marcar um gol. Entende-se também que essas movimentações favorecem o aparecimento de novos espaços de jogo de propiciam melhores condições ao portador da bola, para dar sequencia a ação ofensiva em direção ao gol adversário ou para que outros jogadores da equipe se movimentem no espaço de jogo efetivo.

As regras desse princípio objetivam a variabilidade das posições, a criação de linhas de passe em profundidade e a ruptura da estrutura defensiva adversária, para com o efeito pretendido aumentar o ritmo de jogo a alcançar o desequilibrio defensivo adversário.

Outro aspecto importante diz a respeito as dificuldades criadas pelos atacantes sem bola aos seus marcadores quando executam ações de mobilidade que saem da sua amplitude de visão, porque isso complica a percepção simultânea da bola e do jogador. Além disso, os espaços criados por essas movimentações, quando devidamente explorados pelos outros companheiros da equipe, fazem com que os jogadores adversários tenham dificuldade para marcar seus respectivos jogadores de ataque, impossibilitando a cobertura defensiva mútua.

As ações relacionadas a esse princípio podem ser percebidas por meio dos deslocamentos dos jogadores em relação a linha de fundo ou ao gol adversário. As movimentações em direção a linha de fundo podem ser denominadas por ações de mobilidade divergente, que em suma buscam abrir linha de passe, ampliar o campo de jogo na sua profundidade e largura, e ou desestabilizar a defesa adversária. Além dessas, existem as ações de mobilidade convergente que são movimentações que o atacante realiza em direção ao gol adversário com o intuito de obter espaço e condições extremamente favoráveis para a ocorrência do gol.

Essas ações podem ser percebidas quando o atleta consegue receber a bola em uma situação mais vantajosa ao ataque e a sua movimentação obriga o defensor a acompanhá-lo, deslocando-o do seu posicionamento de cobertura defensiva, ou quando um passe é feito para o espaço criado pela ação de mobilidade, propiciando criar ameaças ao sistema defensivo adversário.

> ESPAÇO:

Esse princípio se configura a partir da busca incessante dos jogadores, sem a posse de bola, por posicionamentos mais distantes do portador da bola, criando dificuldades defensivas a equipe adversária que diante da ampliação transversal e ou longitudinal do campo de jogo, deverá optar por marcar um espaço vital de jogo ou o adversário.

As ações desse princípio iniciam-se logo após a recuperação da posse de bola, quando todos os jogadores da equipe buscam e exploram posicionamentos que propiciam a ampliação do espaço de jogo ofensivo, tendo como orientação os comportamentos técnico-táticos dos seus companheiros e adversários em função da localização da bola. Assim, o afastamente de alguns jogadores em relação a bola (portador da bola) cria espaços para os seus companheiros se beneficiarem de corredores livres em direção ao gol adversário ou facilita a ocorrência de situação de 1x1.

Esse princípio será fudamental para ajudá-lo a ocupar e a explorar os espaços vitais, que propiciam maiores e melhores oferecimentos de linhas de passe em profundidade e largura e que são importantes para a criação de um maior número de opções táticas ofensivas.

Assi, quanto mais espaço a equipe tiver para atacar, mais bem elaboradas poderão ser suas respostas as exigências e demandas da situação.

No jogo as ações desse princípio podem ser observadas quando os jogadores executam movimentações de afastamento, tanto na largura quanto na profundidade, buscando o aumento do espaço de jogo efetivo.

> UNIDADE OFENSIVA:

Esse princípio está relacionado a compreensão de jogo obtida pelos jogadores e com o modelo de jogo concebido para a equipe.

Para se buscar a coesão, a efetividade e o equilíbrio funcional entre as linhas longitudinais e transversais da equipe em ações ofensivas, os jogadores devem também possuir elevado entendimento tático com o objetivo de não desmembrar a solidez do conjunto, permitindo jogar como um todo indissolúvel.

As regras desse princípio pressupõem uma organização em função do espaço de jogo e das funções especificas dos jogadores. Ao se considerar as regras desse princípio, as ações de um ataque altamente organizado suportam medidas preventivas asseguradas por um ou mais jogadores que se colocam e agem na retaguarda dos jogadores atacantes. Por meio desses comportamentos, inicia-se uma concepção de organização da equipe que será responsável por fazer uma passagem organizada a defesa em caso de insucesso nas ações ofensivas e ou a organização de uma defesa temporária em função da situação, até que todos os companheiros se enquadrem as suas reais posições no sistema defensivo da equipe.

Durante uma partida as ações desse princípio podem ser percebidas a partir do posicionamento dos jogadores no campo de jogo de forma a favorecer uma circulação contínua fluente e eficaz da bola, evitando-se ao máximo a sua interrupção (perda da posse de bola). Além disso, o conjunto das ações da equipe irá transmitir confiança e segurança aos companheiros situados perto da bola (portador da bola) permitindo a criação de contínua instabilidade e consequentes desequilíbriosna organização defensiva adversária.

sábado, 10 de outubro de 2009

O futebol é mais do que a bola: Parte IV

Obs: O conteúdo abaixo foi retirado do Artigo de Divulgação "Princípios Táticos do Jogo de Futebol: conceitos e aplicação". Os créditos pelo autoria são de Israel Teoldo da Costa.

Princípios Táticos Específicos da Fase Defensiva:

Esses princípios ajudam todos os jogadores, sejam os mais distantes ou os mais diretamente envolvidos perto da bola (portador da bola), a organizarem as suas atitudes e os seus comportamentos tático-técnicos dentro da lógica de movimentações aconselhada para o método defensivo da equipe, buscando essencialmente, a execução rápida e efetiva das ações de defesa que levem a alcançar os dois principais objetivos defensivos: defesa do próprio gol e recuperação da posse de bola.

O cumprimento desses princípios ajudará os jogadores a orientarem os seus comportamentos e posicionamentos em relação a bola, o próprio gol, aos adversários, aos companheiros e aos acontecimentos dinâmicos da partida. Proporcionando que a defesa consiga orientar as ações de ataque para áreas menos vitais do campo de jogo e possa também restringir o espaço e tempo disponível para a realização das ações de ataque por parte dos jogadores adversários.

> CONTENÇÃO:

Ação de oposição do jogador de defesa sobre o portador da bola visando diminuir o espaço de ação ofensiva, restringindo as possibilidades de passes a outro jogador, evitando o drible que favorece a progressão em direção ao gol e, prioritariamente, impedindo a finalização a gol.

As regras desse princípio pregam a marcação rigorosa e individual sobre o portador da bola, a parada ou atraso da ação ofensiva da equipe adversária, a restrição das linhas de passe e de finalização a gol, o impedimento da progressão longitudinal pelo campo de jogo, a indução do jogo para um determinado lado do campo e o ganho de tempo para a organização defensiva.

As ações características desse princípio estão presentes na abordagem central que ocorre no corredor central do campo de jogo ou mais próximo da área defensiva, onde o defensor deverá obter um posicionamento entre a bola e o próprio gol; e na abordagem lateral que acontece em situações próximas á linha lateral, onde o posicionamento adotado pelo defensor se estabelece em função da bola, do próprio gol, do atacante e da intenção de direcionar as ações do ataque adversário para essa sentido/extremidade.

> COBERTURA DEFENSIVA:

Esse princípio está relacionado as ações de apoio de um jogador ás costas do primeiro defensor, de forma a reforçar a marcação defensiva e a evitar o avanço do portador da bola em direção ao gol. Ao assumir um posicionamento que evita perturbações defensivas que geram uma abertura de espaços favoráveis ao avanço adversário, o jogador, executa as ações de cobertura defensiva, tem por objetivo servir de novo obstáculo ao portador da bola, caso esse ultrapasse o jogador de contenção.

A cobertura defensiva quando é feita em situação de superioridade numérica a favor da defesa (ex. 2x1), facilita as ações de apoio do jogador que a executa, uma vez que a preocupação se foca no portador da bola. Já a cobertura defensiva realizada em situação de igualdade numérica (ex. 2x2) implica outras preocupações ao jogador que a executa, uma vez que, para além de se preocupar com o portador da bola e o colega que executa a contenção, ele tem que se atentar para as movimentações feitas pelo atacante que executa a cobertura ofensiva.

Alguns fatores relativos aos aspectos inerentes e não inerentes do jogo devem ser considerados no momento da realização da cobertura defensiva. Um desses fatores é a zona do campo, de acordo com a zona teremos um significado de risco ao gol e a concessão de espaço para as manobras ofensivas. Assim, a medida que a bola estiver mais próxima do setor defensivo e do corredor central, mais risco a bola oferecerá ao gol e menor espaço deverá estar disponível para o atacante efetuar as manobras ofensivas. Em situações que a bola estiver no corredor central e próximo ao gol, o jogador responsável pela cobertura defensiva deverá aproximar-se do jogador de contenção, no sentido de reduzir as chances de finalização do adversário e oferecer mais segurança ao setor defensivo de sua equipe. Na situação em que a bola é jogada nos corredores laterais, o jogador de cobertura deverá manter-se mais afastado do jogador de contenção , porque com o advento de mais espaço para a execução da manobra ofensiva, o portador da bola pode ultrapassar os dois marcadores de uma só vez. Além disso, nessas áreas os riscos ao gol são minimizados se comparados as outras áreas do campo de jogo.

As características das ações de cobertura defensiva em situações de jogo podem ser percebidas quando o posicionamento do jogador de cobertura defensiva, que deverá estar posicionado entre o jogador de contenção e o próprio gol, oferece apoio e segurança ao jogador de contenção.

> EQUILÍBRIO:

O primeiro aspecto baseia-se na premissa que a organização defensiva da equipe deve possuir superioridade, ou no mínimo garantir igualdade numérica de jogadores de defesa próximos a bola (portador da bola) posicionados entre a bola e o próprio gol; já o segundo se associa as ações de reajustamento do posicionamento defensivo em relação as movimentações dos adversários.

Atráves da aplicação desse princípio pretende-se assegurar a estabilidade defensiva próxima a bola (portador da bola), atráves do apoio desses jogadores aos companheiros que executam as ações de contenção e cobertura defensiva.

As regras desse princípio abrangem, portanto, a cobertura dos espaços e marcação dos jogadores livres sem a posse de bola, cobertura de eventuais linhas de passe e, em alguns casos, a redução do ritmo de jogo, forçando o adversário a aceitar certa cadência de jogo.

As ações do princípio de equilíbrio podem ser observadas a partir da disposição equilibrada de jogadores de defesa entre a bola e o próprio gol, nas ações de marcação dos jogadores adversários sem posse de bola e de apoio aos outros companheiros de equipe que estão imbuídos de realizar as ações de contenção e cobertura defensiva ao portador da bola.

> CONCENTRAÇÃO:

Esse princípio se baseia nas movimentações de jogadores em direção a zona do campo de maior risco ao gol, com o intuito de aumentar a proteção defensiva, de reduzir o espaço disponível de realização das ações ofensivas do adversário próximo a bola (portador da bola) e de facilitar a recuperação da posse de bola.

As regras desse princípio orientam-se na tentativa de direcionar o jogo ofensivo adversário para zonas menos vitais do campo de jogo e de minimizar a amplitude ofensiva na sua largura e profundidade, evitando que surjam espaços livres, principalmente, nas costas dos jogadores que realizam a contenção, a cobertura e o equilíbrio defensivo.

Sendo assim, as ações de concentração podem ser feitas em qualquer zona do campo de jogo, bastando que todos os jogadores envolvidos saibam da importância de sua movimentação na redução do espaço e no incremento da pressão na bola (portador da bola).

Essa ação de concentração pode ser observada quando os jogadores de defesa posicionados mais distantes do portador da bola conseguem se "aglutinar", adotando posicionamentos mais próximos entre si, de forma a limitar as opções ofensivas do ataque a uma determinada zona do campo.

> UNIDADE DEFENSIVA:

Esse princípio possui uma forte ligação com a compreensão de jogo por parte dos jogadores e do modelo de jogo preconizado para a equipe.

As regras desse princípio visam assegurar linhas orientadoras básicas que coordenam as atitudes e os comportamentos tático-técnicos dos jogadores que se posicionam fora da bola (portador da bola). Essas regras também permitem que a equipe consiga equilibrar ou reequilibrar constante e automaticamente a repartição de forças do método defensivo consoante as configurações momentâneas de jogo.

Nesse princípio, a regra do impedimento é uma importante aliada da equipe que defende, porque atráves da sua efetiva exploração e execução, a última linha de defesa consegue reduzir o espaço de jogo efetivo adversário e imprimir maior pressão na bola (portador da bola).

O fato dessa ação de pressão e redução do espaço diminuir o tempo que o portador da bola e os seus companheiros tem para tomarem as decisões e efetuarem as suas ações, pode levá-los a cometer erros que facilitam a recuperação da bola ou a chegada de mais defensores para ajudar nas ações de defesa.

Durante o jogo, as ações desse princípio podem ser percebidas atráves da coordenação das movimentações dos jogadores fora da bola (portador da bola) em consonância com a localização da bola, permitindo desenvolver o jogo de forma mais harmônica e eficiente, entre as linhas longitudinais e transversais da equipe; como por exemplo, a movimentação do jogador lateral para o centro do campo para ajudar na compactação da equipe, quando a ação do jogo está sendo desenvolvida no lado oposto.