O animal satisfeito dorme (Guimarães Rosa)
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domingo, 9 de agosto de 2009

4-4-2 Losango x 4-4-2 Linha

A ESPN transmitiu hoje pela manhã a final da Supercopa da Inglaterra entre Chelsea e Manchester United, o time de Ferguson manteve a postura apenas trocando Nani por Ronaldo e os Blues desistiram do 4-3-3 ou 4-5-1 e se renderam ao 4-4-2.

Os Diabos Vermelhos mantiveram seu 4-4-2 em linha apenas com a adaptação de Nani como extremo esquerdo no lugar de Ronaldo, mesmo sem jogar tanto quanto o compatriota, o jovem jogador deu muito trabalho a defesa do Chelsea, ainda mais quando Evra subia para ajudá-lo nas jogadas, e impossibilitou, o jogo todo, do lateral Ivanovic subir, pois se o fizesse jogaria em suas costas.

A outra jogada nova e interessante do United foi o passe para Berbatov, que por sua vez abria para o lado direito atraindo a marcação e possibilitando a entrada em diagonal do winger Park. Fora isso o Manchester jogou como sempre.

Do lado do Chelsea a equipe mostrou um 4-4-2 losango que privilegia Lampard. Vejamos o time:

Os laterais do Chelsea tem uma constituição de bastante apoio, na direita Ivanovic teve que se conter, como já falado, mas na esquerda Ashley Cole teve muita liberdade já que Park não atacava em seu quadrante, marcação por zona, e sim pelo meio, dessa maneira Ashley ou se infiltrava pela esquerda tabelando com Malouda no estilo lateral ou avançava para servir Lampard, mentor da equipe.

No meio o volante Mikel joga retraido centralizado a frente da zaga fazendo a cobertura de Malouda e Essien. O também volante Essien faz muito bem toda a marcação pelo lado direito e também sobe, não sei se sempre faz isso, como uma espécie de lateral efetuando cruzamentos. O meia Malouda joga do lado contrário de Essien, conseguindo ter pegada na defesa e saindo rapidamente
lateralmente ou verticalmente, interagindo, principalmente, com o lat.esquerdo e o outro meia.

A frente dos outros três jogadores de meio Lampard joga sem posicionamento fixo nem obrigação em defender, quase um terceiro atacante, o que não quer dizer que não se posicione defensivamente para fechar espaços. O Chelsea tem em seu camisa 8 toda a função coordenativa ofensiva, a versatilidade do inglés da ao time a opção de acionar os atacantes, lateralizar com meias e laterais, tabelas 1-2 e chutes longos.

Como atacantes o time tem dois jogadores de presença de área, velocidade, bom posicionamento e finalização. Porém, percebi nesse jogo que a tentativa de ataque é Droba fazer a parede para Anelka finalizar, tocar etc, só que nenhuma vez isso foi acertado, ou o atacante errava o passe ou era interceptado.

Os dois times jogaram bem e mostraram categoria, particurlamente gostei do modo de jogo do Chelsea, que ainda pode ser melhorado, a equipe tem um esquema definido, interessantes variações e estratégias de jogo, consciência tática e joga bonito, o único defeito que posso e devo apontar são as tentativas, desde a temporada passada, excessivas do balão, ou seja, ligação direta entre setores, ainda mais porque existem jogadores no elenco com capacidade para trabalhar a bola e gerar uma excelente interligação de setores.

domingo, 24 de maio de 2009

Como deverá ser a final da Liga dos Campeões?

A final da Liga dos Campeões, entre Barcelona e Manchester United, será quarta-feira, de um lado teremos uma equipe que utiliza um futebol bonito e ao mesmo tempo tático, do outro estará um time pragmático, que varia facilmente de esquema e jogadores e "joga apenas para ganhar". Nesse post tentarei prever como será esse Duelo de Titãs.

O Barcelona deve utilizar seu tradicional 4-3-3, que vem sendo aplicado em toda a temporada, antes de começar a análise é importante destacar que o clube catalão terá as baixas de: Daniel Alves, Abidal e Rafael Marquéz; Iniesta e Henry ainda não se sabe se terão condições ou não de jogar.

Sem abidal é possivel que Guardiola improvise, como já fez outras vezes, Puyol na lateral esquerda, com isso Touré deve vim para a zaga e Sylvinho, que é lateral esquerdo de origem, vem para a direita. Com Touré na zaga Busquets fica como volante, Xavi mantém-se como meia direita e na esquerda se Iniesta estiver em condição joga, caso contrário quem deve entrar é Keita. Na frente Messi na ponta direita, Eto'o de atacante central e na ponta esquerda caso Henry não jogue pode entrar Bojan, Hleb ou Gudjohnsen. Vamos agora a explicação:

Abidal é um lateral-zagueiro, praticamente passa o jogo todo sem apoiar, logo Puyol pode cumprir facilmente essa função, inclusive já cumpriu, Sylvinho apesar de ser lateral esquerdo jogará na direita porque no Barça o lateral direito precisa apoiar, pois o jogo se desenrola por esse setor, nas triangulações entre Daniel Alves - Xavis - Messi, logo na ausência de Alves Sylvinho cumprirá esse dever ofensivo.

Piqué deve ficar responsável pela marcação do único atacante do Manchester, liberando Touré para cobrir Sylvinho, visto que Rooney deve jogar nas costas do lateral, ficar "atento" a Cristiano Ronaldo e consertar qualquer falha de marcação.

No meio Busquets marcará o homem a frente das duas linhas de quatro e Iniesta e Xavi pegaram os volantes pouco habilidosos de seus setores. Messi e o ponta esquerdo, que não se sabe quem será, ficarão responsáveis por manter presos os laterais apoiadores Evra e O´Shea, aliás, a linha defensiva do Diabos deve ficar praticamente presa devido aos três atacantes.

Jogando dessa maneira o Barça consegue segurar os pontos fortes do Manchester: O extremo direita inglés sempre baterá com Puyol fixo, já o extremo esquerdo poderá bater com o lateral ou com o zagueiro da sobra, um zagueiro pegará um atacante, os dois volantes bretões terão a marcação de dois meias eficientes, Cristiano Ronaldo, se jogar pelo centro, será marcado por Busquets e posteriormente por Touré, e os avanços da defesa inglesa serão contidos pelo trio de atacantes.

Essa disputa, realmente, promete, ambos os times com defesas fortes, o Barça jogando detendo em média 70% a bola, o Manchester apostando tudo nos seus contra-ataques mortais e num jogo de se fingir de morto para depois dar o bote.

É claro que, esse post nada mais é do que especulação, afinal não sei quais serão as escalações e opções de ambos os treinadores, no entanto, fiz uma especulação que considero válida, afinal o jogo pode ser algo bastante parecido com o que tratei aqui. Sim... E só para não esquecer, eu aposto no Barcelona para vencer a Liga dos Campeões, caso Iniesta esteja recuperado e possa jogar, do contrário aposto todas as fichas no Manchester!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Duelo dos Iguais: Parte II

O Manchester enfrentou o Arsenal com um dever: Jogar fechado e compactado visando o contra-ataque rápido. Acabou dando certo e em 11 minutos a partida estava liquidada. Novamente a defesa bretâ foi consistente juntamente com o versátil e pragmático sistema ofensivo.

A estratégia escolhida por Ferguson foi um diversificado 4-5-1. Na primeira variação se formam duas linhas de quatro com Anderson centralizado na frente de Carrick e Fletcher (foto), na segunda variação Anderson recua e compõe o meio pela esquerda o que forma uma linha de cinco, já na terceira variação se formam duas linhas de quatro com o volante Carrick no meio delas. Lembrando que em todos os casos Ronaldo se mantém como atacante isolado.

A opção por Rooney como extremo foi mantida, aliás, o treinador gostou tanto que vem repetindo isso, enquanto o inglés atuou na extrema esquerda o sul-coreano Park veio pra mesma posição na direita, e era comum a inversão de posicionamento entre eles e o atacante.

Apesar de jogar no 4-5-1, quando se usa dois wingers a função deles se torna bem parecida com a dos pontas nos esquemas de três atacantes, com isso Park e Rooney pressionavam a saída de bola dos laterais adversários e Ronaldo os zagueiros. A opção pelo fraco Park pode se justificar devido sua velocidade, coisa necessária para cumprir a função, considerando que cabia aos wingers fazer ou participar de contra-ataques fulminantes com Cristiano e logo em seguida retroceder para guerrear na defesa.

A novidade no meio-campo foi o posicionamento de Anderson, o brasileiro jogou mais adiantado do que vinha atuando e teve mais liberdade para tentar criar e atacar, não é à toa que teve importância ímpar no primeiro dos três gols, Fletcher também foi um pouco solto pela direita, principalmente no segundo tempo, o jogador se vale da força fisica pra cumprir o papel de volantão carrasco - onde agregado a Carrick fazem a cobertura de Park, Anderson e Rooney - e ainda se confirmar no ataque. Até o critiquei uma vez aqui, mas volto atrás, esse cara é um baita volante.

Novamente houve uma consolidação defensiva, dos Red Devils, que se deu com a manutenção de uma linha defensiva fixa de quatro homens - O'Shea, Ferdinand, Vidic e Evra - durante todo o jogo, os laterais que tanto costumam dar apoio se mantiveram presos e seus percursos se limitaram da defesa a intermediária, essa última quando adiantavam a marcação, Evra por exemplo só correu 6 quilômetros em 65 minutos. Apesar dá criação dessa "muralha" defensiva os meias também priorizaram a defesa, havendo uma fluidez natural na ida e volta do ataque e um comprometimento tático cauteloso.

Nesse duelo de esquemas táticos iguais deu Manchester merecidamente, seus jogadores são em parte superiores aos do Arsenal e compreendem e aplicam a tática coletiva da maneira mais organizada possivel, isso inclusive é a chave da equipe, os Diabos vêm se caracterizando por ter "várias caras", um dia o time joga de tal jeito e no outro muda completamente, além disso o esquema pode ser alterado invertendo no decorrer da partida apenas a posição de alguns jogadores.

As próximas análises serão as partes I e III do "Duelo dos Iguais", que foi a melhor forma que encontrei para denominar os confrontos da final paulista e semifinais da Liga dos Campeões, pois em todas as disputas os esquemas foram praticamente os mesmos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fesrguson inventa, corrigi, quase peca...Mas no final deu tudo certo!

Essa análise vem complementar a da partida de ida do jogo entre Manchester United 2 x 2 Porto. No duelo de hoje Sir Alex Ferguson inovou o modo de jogar, corrigiu alguns erros da primeira partida e arriscou em se contentar com o 1 a 0.

O Manchester entrou em campo no 4-4-1-1, usando um 4-4-2 britânico e tendo um losango entre os volantes e Ronaldo. A zaga teve a volta de Ferdinand o que trouxe nova confiança, pois Evans não está preparado para ser titular. Um assunto que tratei na primeira análise foram as jogadas que ocorreram com comodidade nas costas do lateral esquerdo Evra, Ferguson corrigiu isso de uma maneira simples e óbvia: Segurou Evra na zaga. Essa atitude dificultou as jogadas do Porto pela direita - que é o lado preferido dos portugueses.

Assim como Evra, o gigante O'Shea comportou-se de maneira resguardada, pela razão de que Rooney por si só já fazia toda a movimentação ofensiva do flanco direito, O'Shea então o ajudava de forma prudente e se mantinha sempre pronto para defender. Tudo isso atrelado a outros fatores - que falarei à frente - consolidaram o sistema defensivo bretão.

No meio campo houve não apenas mudança na forma de jogo mais também de jogadores, manteve-se Carrick, saiu Fletcher, Scholes e Park e entraram Anderson, Giggs e Rooney. Sairam então dois volantes bem comuns e um meia inútil e foram inclusos jogadores de habilidade atuando pelas laterais e um volante - Anderson - "faz tudo".

As mudanças deram nova cara ao jeito de jogar dos Diabos Vermelhos. Carrick mantém a postura de 1º volante centralizado pelo meio, enquanto que Anderson é o 2º volante e joga apoiando e defendendo simultaneamente - ao contrário de Scholes e Fletcher que ficam devendo em ofensividade e ainda comprometem a marcação e cobertura - sempre dando cobertura e auxiliando Giggs pela esquerda.

Rooney se mostrou versátil jogando como extremo direita, foi de grande valia no ataque - em jogadas de linha de fundo e passes rápidos - como também na defesa - quando recuava para formar a segunda linha de quatro e auxiliar O'Shea na marcação do setor direito. Giggs também se alinhou como um extremo, só que pela esquerda, tendo a primazia de distribuir a bola e se infiltrar nas diagonais pelo meio, - não se abstendo de recuar para marcar, muito pelo contrário - agregado a Rooney concederam profundidade a equipe.

A última mudança foi em relação à Cristiano Ronaldo, dessa vez ele não atuou pela ala direita muito menos pela esquerda, mas sim centralizado pelo meio à frente da segunda linha de quatro.

Esse posicionamento permite ao meu ver tirar seu melhor aproveitamento, pois ao invés do Manchester só ter criatividade pelas laterais ganhará também pelo meio, além de que falta no time vermelho um jogador que venha auxiliar melhor o atacante, quem sabe com essa nova maneira de jogar Ronaldo não consiga isso? Hoje ele não foi bem, - até porque não está acostumado a jogar nessa posição - faltou ele perceber que as jogadas giram em torno dele e o cabe organizar o time.

O experiente treinador do Manchester merece uma salva de palmas, Ferguson observou e corrigiu os principais erros do time: Jogada nas costas dos laterais e meio campo que não sabe marcar nem apoiar. De quebra ainda inventou esse novo posicionamento para Ronaldo. Vou tentar observar alguns jogos do Manchester ainda nessa temporada e informar aos leitores se essa ideologia será mantida, ou infelizmente descartada.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Manchester possui graves problemas no meio de campo

O Porto arrancou um excelente empate contra a equipe do Manchester, a decisão agora vai ser resolvida no estádio Dragão em Portugal, apesar dos Diabos vermelhos terem um time mais forte podem ser surpreendidos já que os portugueses têm um bom time e jogam em casa.

Na partida desta terça-feira no Old Trafford o Manchester entrou em campo no 4-3-2-1. Com a contusão do zagueiro Rio Ferdinand o jovem Evans ocupou seu lugar e formou dupa com Vidic. O quarteto ofensivo do Porto - Lucho, Cristian, Hulk e Lisandro - deu muito trabalho a defesa, o Dragão atacava prioritariamente pela direita - onde se posicionavam Lisandro e Lucho - com Cristian organizando os contra-ataques rápidos e mortais.

As investidas aconteciam pela direita porque neste setor a defesa inglesa era mais vulnerável, o lateral esquerdo Evra jogou avançado o que proporcionou todas essas jogadas em suas costas, o mesmo acontecia com O'Shea - que é muito lento - em menor intensidade - como por exemplo o gol do Porto aos 44 minutos do 2º Tempo.

A linha de três no meio-campo foi composta pelos volantes: Scholes, Carrick e Fletcher, posicionados respectaviamente a esquerda, pelo centro e a direita.

Scholes ficou mais próximo a defesa ordenando a saída de bola, - saída essa que o Porto pressionou o jogo todo e marcou um gol no erro de Ronaldo - Carrick atuou em um quadrado no meio de campo, - onde se dividia entre auxiliar Scholes e Fletcher - enquanto que Fletcher tentou dar uma de winger direito - agregado a O'Shea eles povoaram e fortificaram bem o setor, visto que o jogo do Manchester se concentrava mais pela esquerda. Contudo os três volantes erraram principalmente em não dar uma coberura decente aos laterais nem marcarem adequadamente - fato que comprometeu a defesa.

Na meio entre a linha de três e os atacantes, posicionavam-se pela esquerda Ronaldo e Park. Ronaldo mais como um winger esquerdo - entrando em diagonais- e Park como um meia-atacante sem criatividade quase colado em Cristiano. Roney mostrou a categoria de sempre, fazendo o gol e dando um passe de calcanhar de costas para Tevez fazer o segundo.

A fragilidade com a qual atuou a defesa vermelha se evidência com os chutes do Porto, - um total de 18, obrigando Van der Sar a fazer 6 defesas, contra 14 oportunidaes e 7 conclusões dos bretões, vale salientar que o Porto aproveitava muito os chutes de fora da área - que ficava somente com Hulk no ataque e possuia uma única arma - os contra-ataques rápidos.

Apesar do Manchester ter possuido 62% da posse de bola não conseguiu trabalhar as jogadas, pois só ficava tentando os erronêos cruzamentos na área para ninguém, a equipe precisava ter tido um homem de aproximação - como Gerrard no Liverpool - e alguém para jogar junto com esse homem, - além do atacante - Cristiano que faz essa função de aproximação não estava inspirado e Park demonstrou porque não merece jogar no Manchester, talvez se Giggs tivesse sido titular no lugar de Park desde o inicio a coisa pudesse ser diferente.

Eduardo Cecconi do blog Preleção já citou como está confuso os esquemas de Alex Ferguson e eu ratifico, acho que o principal detalhe que deve - ou deveria - ser corrigido é o meio de campo, que considero que não cumpre dois papeis básicos: Ser ofensivo e defensivo. Uso novamente o exemplo do Liverpool, que considero ter excelentes meias.

Atualização:
Declaração do goleiro Edwin Van der Sar sobre o jogo contra o Porto: "Não tomamos grandes gols do adversário. Temos que resolver estes problemas na defesa e nos concentrar. Tivemos sucesso por muito tempo nesta temporada e temos que recuperar a antiga forma".