O animal satisfeito dorme (Guimarães Rosa)
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domingo, 5 de abril de 2009

É bicho papão ou não?

A Alemanha enfrentou o Pais de Gales e venceu por 2 a 0, apesar da vitória a equipe não convenceu nem mostrou um bom futebol, como o grupo da Alemanha é fraco fica quase como certa a participação da mesma na Copa, mas caso vá jogar esse futebol que tá jogando em uma copa vai passar vergonha.

A seleção Alemã entrou em campo trajando um 2-2-2-2-2, parece confuso mas não é. A zaga tem Tasci a esquerda e Mertesacker a direita, uma dupla jovem e que até mesmo por uma maior falta de experiência acaba errando razoavelmente em aspectos básicos como o passe.

Os dois volantes são Rolfes e Beck, eles jogam bem recuados e eu diria que são os motores do time, não pôr serem gênios com a bola, o que os faz essenciais é o fato de serem eles os responsáveis pelas funções de:

Desarmar os adversários, - como os wingers jogam avançados só restam esses volantes e os zagueiros na defesa - compor o meio de campo dando auxilio verticalmente, ligar a bola até os meias ou wingers e fazer a cobertura dos mesmos, dar condição para os wingers avançarem, além de funcionarem como alas quando os wingers estiverem no ataque. Essa versatilidade faz desses dois jogadores peças chaves no esquema alemão.

Mais avançados do que esses volantes se encontram os wingers, que se estabelecem um pouco a frente do meio-de-campo, o winger esquerdo é Lahm e o direito Schweinsteiger, ambos jogadores rápidos e avançados que penetram pelas diagonais ou laterais - podem jogar pelos 2 lados - fazendo triangulações de passes e com o intuito de normalmente fazer o cruzamento ou toque pro atacante fazer o pivô.

Finalizando o meio e formando a quarta linha de dois se encontra Ballack e Hitzlsperger. Ballack joga mais centralizado, enquanto Hitzlsperger cai pra direita ou esquerda, o primeiro é um jogador diferenciado pela categoria, bom lançamento e finalizações de médio a longa distância da área, já o segundo é um jogador bem comum.

Com a contusão de Klose o ataque alemão vem sendo ocupado por Lukas Podolski e Mario Gomez. Lukas é ágil e possui grande movimentação, atuando pela ponta esquerda mas tendo liberdade pra ir pra onde quiser, enquanto Mario Gomez é mais centroavantão - tem um pouco de movimentação - e é constantemente auxiliado pôr Schweinsteiger pela direita.

Se tem uma seleção que não me atrai é a alemã, até agora apesar de liderar de seu grupo não enfrentou nenhuma "pedreira", logo não dá pra rotular que a Alemanha está bem se só enfrenta adversários frágeis.

Azzurra inova, mas decepciona

A Itália recebeu a seleção da Irlanda, os donos da casa jogaram mal e por pouco não perderam, com a expulsão de um dos seus atacantes aos 3 minutos do 1º Tempo o jogo italiano ficou parcialmente comprometido.

A Azzurra se manifestou em um 4-4-1 práticando as duas linhas de quatro, um esquema nada comum pra uma equipe italiana. O setor defensivo da Itália - que pra mim se destaca mais que qualquer outro - conta com a dupla de zagueiros Cannavaro - pela direita - e Chiellini - pela esquerda.

Os laterais que jogam mais recuados e formam a primeira linha de quatro são: Zambrotta e Grosso. Esses laterais sobem constantemente o que empurra os wingers pra o ataque. Dos laterais o que usa uma maior ofensividade é Grosso, talvez porque o winger de seu lado tenho uma menor categoria de dar apoio que o da direita.

O meio não tão criativo italiano conta com dois wingers, Pepe e Brighi, esses wingers não precisam equipar as jogadas, suas funções estão limitadas a dar qualidade ofensiva ao ataque e voltar pra defesa, onde a equipe executou com perfeição as duas linhas de quatro britânicas, - apesar do jogo recuado da Itália, a equipe só fez 11 faltas -, ou melhor, executou com quase perfeição, afinal aos 89 minutos Keane marcou o gol de empate irlandes.

Rematando o setor médio se tem De Rossi e Pirlo jogadores com modos de jogo opostos, mas que por isso se completam. Pirlo organiza o time, faz com que a bola seja bem trabalhada valorizando a posse e tem bom lançamento, já De Rossi é mais agressivo, pois junta algumas qualidades do companheiro com a capacidade de articular as jogadas ao mesmo tempo que ataca.

Já vi declarações de que Rossi joga parecido com Gerrard, sou obrigado a concordar, mas ele devera percorrer ainda um longo caminho pra isso...

O único atacante - já que Pazzini foi expulso - italiano foi Iaquinta, jogador que nessa partida - lêia-se pelo menos nessa partida - não mereceu usar a camisa azul, acredito que acabou sendo usado por falta de melhores opções.

Se eu fosse Lippi me preocuparia em prosperar o setor de meio e ataque, se analisarmos as dados das partidas da Itália iremos perceber seu pouco número de chutes - tem haver com a criação das jogadas - e gols. Mudanças nos wingers e no ataque dariam nova cara a Azzura.

sábado, 4 de abril de 2009

A zebra das eliminatórias da América do Sul

O Chile até agora vem sendo a boa surpresa das eliminatórias da América do Sul, com 20 pontos conquistados tem somente 1 a menos que o Brasil, se manter esse ritmo vamos ver essa equipe de porte "médio" jogar contra os grandes do futebol.

A seleção chilena se traçou em um 4-3-3 ou 4-1-2-3. Na zaga que não foi muito testada devido a fragilidade ofensiva do Peru têm a esquerda Gonzalo Jara e a direita Waldo Ponce - uma dupla que atua no futebol da América do Sul.

Na lateral esquerda está Cereceda e na direita Isla, o Chile usa pouco as laterais para atacar, pois quem efetua essa função são os meias, é delegado aos laterais a função de impossibilitar o avanço adversário e de fazer a bola chegar aos dois meias de ligação - que jogam adiantados.

O meio do Chile é um triângulo, onde Carmona atua na ponta de baixo de forma centralizada dando cobertura a Matias Fernandez e Beausejour - quem jogam na parte de cima do triângulo. É Matias Fernandez - jogador do Villarreal - quem dá criatividade e organiza as jogadas ofensivas, seu companheiro Beausejour está mais pra lhe auxiliar do que pra outra coisa.

Não sei se porque o adversário enfrentado foi o inofensivo Peru, mas o Chile utilizou três atacantes, onde as jogadas giram em torno de dois deles. Sánchez é um ponta-de-lança direito e Mark González faz o mesmo na esquerda, no meio dos dois se encontra um homem de referência - Suazo.

Quando Sánchez tem a detenção da bola vai até a linha de fundo pra buscar um cruzamento ou lançamento pra área, - onde estará dois dos atacantes, os meias e talvez até algum dos laterais - o mesmo ocorre com González pelo outro lado. Se os pontas estiverem mais recuados quem faz esse papel são os laterais, a outra variação de ataque do Chile é a jogada vertical com Matias acometendo e Suazo fazendo a parede pro chute do camisa 14.

Um detalhe curioso dessa equipe chilena é o seguinte: possui 6 vitórias, 2 empates e 4 derrotas, gols pró 17 e gols contra 14, qual a conclusão que tiramos disso? Que o Chile entra com tudo sempre, pois seu número de vitórias e derrotas são quase os mesmas, seleções que perderam 4 vezes como o Chile estão em 6º e 7º lugares, também percebemos pelo seu saldo de gols que ela tanto faz gols quanto leva na mesma proporção, ou seja, joga relativamente aberta. E uma última informação, das 6 vitórias 4 ocorreram fora de casa.

Vai superar essa equipe quem tiver uma defesa consistente e um time calmo para jogar, pois acredito que levando um ou dois gols o time - do Chile - se abra mais ainda, dando oportunidade a ampliar o placar.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Será que tem explicação?

Os argentinos aplicaram uma goleada de 4 a 0 na Venezuela com direito a show de Messi. Contra a Bolivia que está em penúltimo lugar se esperava outro show, e vimos realmente um show... dos bolivianos, nesse post vou tentar explicar como se deu essa inesperada derrota.

Na partida passada Maradona optou por um 3-4-3, nessa ele pôs em uso um 4-4-2 ou 4-4-1-1, como prefiram. Os zagueiros passaram a ser Heinze - a esquerda - e Demichelis - a direita. Zanetti veio pra lateral direita e Papa atuou na esquerda.

Mascherano, Gago e Maxi mantiveram a composição do meio, que teve a saída de Gutierrez e a entrada de Lucho González. Maxi fez a função de Gutierrez e Lucho a de Maxi. Messi que havia atuado de atacante no jogo passado se moldou agora entre o atacante - Tevez - e os meias, mas manteve seu cumprimento de criar as jogadas de ataque.

Quando vemos um placar elástico como esse tendemos a achar que a partida foi dominada pelo time vitorioso, porém, nessa partida isso não ocorreu, apesar do "chocolate" boliviano os argentinos mantiveram - se no mesmo patamar de seu adversário.

A Bolivia teve um geral de 23 chutes, - contra 8 dos argentinos - 14 - 10 no 1º Tempo - acertaram o gol dos "hermanos", o que dá uma média de 60% de acerto. 23 chutes é muita coisa, como que a Bolivia conseguiu tudo isso?

O time Boliviano adota a mesma tática do Equador por exemplo, eles pressionam muito durante o 1º Tempo, - principalmente nos 20 primeiros minutos por estarem repousados - visam um jogo lateralizado rápido buscando o cruzamento ou o chute de fora da área - já que na altitude a bola é mais veloz e pode surpreender o goleiro.

É claro que a seleção boliviana teve seus méritos na vitória, mas a equipe de Maradona também facilitou, veja uma síntese dos erros - ou dificuldades - dos argentinos: A altitude, La Paz tem 3.600 metros de altitude, é fato que toda essa altura causa um cansaço muito maior no jogadores, - que por isso rendem menos no 2º Tempo - outro problema da altitude é a bola mais rápida, e até pegar o ritmo da bola pode demorar.

Por não pegar o tempo da bola a equipe errou muitos passes, o que fazia a Bolivia ter posse de bola e jogar no campo argentino, isso então desencadeia um adiantamento da marcação boliviana que diminui os espaços, acuados sem conseguir trabalhar a bola os hermanos tentam os balões pro ataque - que em sua maioria são mal sucedidos. O maior erro todavia foi o péssimo posicionamento da defesa e a demora pra se recompor, por esses 2 erros aconteceram 5 dos 6 gols. A Argentina mostrou que sua defesa é frágil e não sabe marcar, levando gols estando em vantagem númerica de jogadores.

É complicado julgar pois as condições de jogo da Bolivia não são normais, mesmo assim acredito que Maradona precisa prestar atenção nessa defesa e a consertar taticamente, senão o excelente time argentino se transformará numa grande desilusão.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Brasil é covarde e milagrosamente arranca empate

Muito se esperava da seleção brasileira contra o Equador, porém, o jogo foi decepcionante pra torcida, que viu em campo uma seleção fraca, que não atacou nem se organizou, enfim, não fez nada, e esse foi o problema.

Dunga optou por jogar em um simples 4-4-2 sem nenhum mistério, a equipe atua com uma dupla de zaga muita lenta, formanda por Luisão - a esquerda - e Lúcio, - a direita - que pra completar ainda são desentrosados, efetuam mal a cobertura e deixaram - se ser facilmente driblados.

Nas laterais Marcelo - na esquerda - e Daniel Alves - na direita, este substituiu Maicon devido a uma contusão - jogaram presos a defesa. As alas teoricamente seriam o trunfo do Brasil, - com 2 bons ágeis apoiadores - no entanto os laterais não apoiaram e de quebra comprometeram a marcação, é impossivel eles se firmarem se nas suas alas estão ocorrendo diversos avanços perigosos, e como são jogadores de mais habilidade e ofensividade têm na marcação seu "calcanhar de Aquiles".

No meio a dupla de volantes formada por Gilberto Silva e Felipe Melo definitivamente é absurda. São dois jogadores trombadores, vagorosos e que prendem a bola sem qualidade alguma. Precisa - se urgentemente de alterações neste setor, me pergunto por que não colocar Hernanes - do São Paulo - por exemplo, ele é um jogador veloz, criativo e efetua bem a marcação.

Mais avançados jogando como meias está Ronaldinho Gaúcho e Elano. Ambos também não renderam nada, Ronaldinho vem em um periodo de recuperação e ainda não parece pronto pra jogar, já Elano nem sei porque ainda é convocado, não é criador e não vem somar em nada a equipe, com tantos excelentes meias não entendo porque Dunga insiste tanto em Elano.

No ataque a escolha foi por Robinho - que atuou como um ponta-de-lança esquerdo - e Luis Fabiano, - centroavante nato. Se tem alguém sem culpa nesse "empate-derrota" foram os atacantes, afinal como atacar se a bola não chega?

O Brasil jogou como uma equipe pequena, nem tanto foi por opção ou caracteristica de jogo, mas sim por pelo menos naquele momento não conseguir se postar de outra maneira. O Equador pressionou durante todo o jogo e merecia ter ficado com a vitória, já os brasileiros devem agradecer pelo empate que foi um resultado fantástico - agradecer a Júlio Cesar também é justo.

Apesar de ser uma partida pra ser esquecida, esse jogo teve a grande importância de ratificar para o técnico Dunga que se ele manter esses mesmos convocados a equipe não vai longe, é preciso mudar Dunga, mudar.

domingo, 29 de março de 2009

Maradona revive o 3-4-3

Atualmente é comum vermos nas partidas equipes com excesso de defensivismo, que jogam recuadas em contra-ataques. Agora, é incomum vermos esquemas com três atacantes, mais dificil ainda é vermos três bons atacantes atuando juntos. A Argentina conseguiu reunir todas essas qualidades: ofensividade e jogar com três excelentes atacantes.

Maradona colocou a Argentina em um 3-4-3 que não se vê mais. Na zaga está Heinze pela esquerda, Angeleri pelo centro e Zanetti pela direita. Jogando contra a fechada Venezuela de apenas 1 atacante, os argentinos puderam se dar o capricho de liberar constantemente Javier Zanetti - que não é zagueiro - para reforçar o meio.

Na linha média "nuestros hermanos" possuem 4 meias de qualidade. Pela ala esquerda Gutierrez, - compensa seu pouco apoio por ser aguerrido do meio para trás - centralizados os meias Gago e Mascherano, - adquirem postura cautelosa e não apoiam diretamente, mas distribuem muito bem a bola com passes refinados - e pra completar Maxi pela ala direita - que priorizou o avanço até porque Zanetti tava na sua cobertura e jogou muito ontem, auxiliando Messi e entrando pra atacar como no gol que fez após cruzamento de Agüero.

No ataque está o "trio parada dura" formado por: Agüero, Tevez e Messi. Agüero e Tevez trocam a todo momento de posição, enquanto que Messi se institui um pouco a frente da linha de meio-de-campo pela direita, quando está com a bola o Pulga entra em velocidade pelas diagonais, buscando o chute de fora da área, cruzamento ou triangulações com Agüero, Tevez e Maxi, dessa maneira surgiu dois dos quatro gols argentinos.

Essa partida deixou claro que a Argentina joga em função de Messi bem como necessita dele pra jogar e ganhar, não é à toa que os passes visam sempre o novo camisa 10, que tem seu trabalho facilitado por seus competentes parceiros de ataque.

Sem delongas nem hipocrisia considero a seleção Argentina a mais forte das Américas, tendo futebol suficiente pra disputar de igual para igual com seleções europeias como Espanha, Holanda, Alemanha e até Inglaterra.

Zidane voltou a jogar ou foi só impressão?

A Lituânia - vice-lider do grupo sete - recebeu a seleção francesa que precisava a todo custo da vitória - e conseguiu, apesar do placar apertado. A diferença de qualidade entre as equipes é absurda, cabendo a Lituânia jogar com cautela e aproveitando os contra-ataques, porém, o que vimos foi um jogo covarde dessa seleção, que só defendeu e jamais atacou, uma postura fatalista.

A França esquematizou seu time em um 4-5-1, ou melhor dizendo 4-2-3-1. A equipe joga com dois zagueiros presos, - Gallas na esquerda e Squillaci na direita - nas laterais jogam Evra - pela esquerda - e Sagna - pela direita. Nessa estratégia francesa os laterais não tem o dever de articular jogadas nem nada do tipo, devem só ajudar o combate no ataque, especialmente nessa partida em que o adversário se defendia com dez esse combate foi muito importante.

Quem forma a primeira linha do meio é Diarra - a esquerda - e Toulalan, - a direita - meias defensivos que em condições normal jogam bem mais recuado do que jogaram ontem, mas como o adversário jogou totalmente contraido eles puderam se adiantar mais e adquiriram um papel ofensivo importante.

Na segunda linha do meio é onde está o "ponto chave" da França, Ribery trabalha como winger esquerdo, Luyindula winger direito e Gourcuff ou "New Zidane" é o meia-atacante central que vai coordenar tudo. Nenhum dos três têm um papel mais importante que o do outro, ambos dividem a responsabilidade na trama das jogadas e em finalizar.

Na frente fica Thierry Henry - que se movimenta pra todos os lados - auxiliado pelos três meias. O problema não era os meias "alimentarem" Henry, mas sim a bola chegar nos meias, visto que a França estava errando muito os passes e não conseguia trabalhar a bola.

Aos 25 min do 2º Tempo saiu Luyindula e entrou Benzema, que jogou parecido com Luyindula com a diferença que se posicionava mais recuado e quando sua equipe detinha a bola ele arrancava pro ataque. Coincidência ou não, 3 minutos após a entrada de Benzema a França fez seu único gol; Em jogada individual Gourcuff finta e toca pra Ribery que bate de primeira e faz um belo gol.

A tabela comprova que a França vem mal nas eliminatórias, - terceiro lugar no seu grupo - mas sua equipe é forte e têm jogadores de muita qualidade, resta agora a equipe se encontrar e encontrar seu esquema de jogo, para aí sim práticar um futebol a altura do que se espera.