O animal satisfeito dorme (Guimarães Rosa)

domingo, 10 de janeiro de 2010

O (nao) "Vicio da pressa" [a (nao) mecanizacao das coisas]

"Comecamos mas nao terminamos grande parte das tarefas a que nos propomos..." (Gabriela Oliveiral, 2003).

"Sempre que aceleramos o presente, como um efeito secundario curioso abrandamos o passado" (James Gleick, s/d) citado por (Gabriela Oliveira, 2003).

Para Gabriela Oliveira num artigo na revista Noticias Magazine ( 2 de novembro), desperta a atencao para uma sociedade que parece ter sido atacada pelo "mal da pressa" e "que se move a uma velocidade vertiginosa". Para esta autora "comecamos mas nao terminamos grande parte das tarefas a que nos propomos..." e explica citando James Gleick (s/d): "sempre que aceleramos o presente, como um efeito secundario curioso abrandamos o passado". Isto ee facilmente constatavel no futebol, pois sempre que tentamos queimar em determinado momento alguma fase do jogo, hipotecamos o sucesso da mesma.

Assim, esse momento "escapa-se ainda antes de o vivenciarmos". Tambem para Frade (2004) "o presente tem varios futuros". Assim, quando mais mecanicas forem as nossas acoes menores vao ser os futuros possiveis como tambem serao mais previsiveis. O excesso de velocidade retira o pensamento das acoes.

Isto acontece porque o futebol aparece distorcido devido a falta do seu entendimento como um fenomeno antropossocial total, inserido numa sociedade e numa realidade atual (Frade, 2004), que vicia tudo que esta a sua volta. O futebol nao ee um fenomeno natural, mas sim construido - fenomenologia do futebol. (Frade, 2004).

A paixao [entenda-se emocao] pelo futebol traz consigo o vicio da urgencia [entenda-se pressa], o que conduz as equipes a envios verticais [entenda-se jogo direto] o que leva ao choque e consequentemente a perda da bola. Pois o desejo de chegar la rapidamente (virus da pressa) desvia-nos do pretendido, quando o mais inteligente ee tentar faze-lo por lugares mais descongestionados (Valdano, 1998); portanto deve-se tirar a bola da zona de pressao e fazer a circulacao de bola nos espacos menos susceptiveis ou proximos de uma acao coletiva por parte do adversario.

A afirmacao de Jorge Andrade, citado pelo jornal A bola, ee deveras esclarecedora em comparacao as velocidades existentes entre os dois futebois ibericos: "o ritmo ee diferente [entenda-se mais jogo]. Em Portugal, querem fazer tudo com pressas. Em Espanha pensa-se mais o jogo". Tambem perante esta pressa de realizar as coisas a grande velocidade, Cappa (2004: 24) menciona que "o primeiro conceito basico que se esta abandonando em futebol, pelas pressas com que vivemos e a pressas com que jogamos, ee o engano". E para enganar ee preciso pensar o jogo, e nao somente realizar as situacoes de jogo em piloto automatico [entenda-se mecanicamente], porque ainda segundo o mesmo autor "tambem ee engano defender, nao somente para atacar". Tambem Pereira (2003) refere ter dificuldades a este nivel com os seus jogadores porque jogam com excesso de velocidade. Jogar com excesso de velocidade ee terrivel. Nao ha ninguem que faca uma boa circulacao de bola jogando com excesso de velocidade."

Portanto, a velocidade devera ser contextualizada, ou melhor dizendo, adequada a gestao do proprio instante (momento) por parte do jogador como parte permanente implicada (Amieiro, 2004). Porque a rapidez por si so nao ee sinonimo de eficacia, a sua adequacao ee que segundo Frade (2004) vai realcar a ordem da organizacao coletiva e vai permitir o despontar do detalhe (qualidade tecnica). Partindo do pressuposto que a velocidade do jogo ee uma arma fundamental para o melhoramente do jogo, a atencao dos treinadores devera direcionar-se para os sincronismos coletivos da equipe e para a velocidade de pensamento de cada jogador (Ancelotti, 1997). Assim o pressing, devera ser realizado de forma a permitir o realce de uma determinada organizacao grupal, "porque a equipe deve ser um mecanismo nao mecanico, em que o pensamento criativo deve estar sempre presente e, no momento de decidir, no tal momente unico, para o qual nao existe equacao, uma previsibilidade incalculavel, na pratica, resulta numa imprevisibilidade potencial, fruto das vivencias potenciais no processo de treino" (Carvalhal, 2001: 65). Com a identificacao da regularidade, obtemos uma certa probabilidade, uma certa capacidade de prever o futuro, nao com rigor absoluto, mas sim prevendo um espectro de possibilidades que nos indiquem um resultado possivel (Oliveira, 2002: 58).

4 comentários:

julio disse...

ñ sei c vc vem acompanhando, mas o city começou a tomar menos gols com a chegada do mancini me parece q isso tem ha ver com a ñ descida dos volantes pra finalizar ñ deixando dessa forma espaço pra contra ataque


o q vc axa???

João Henrique disse...

Ola, Julio, nao acompanho o M.City.

Para tentar entender porque o City esta levando menos gols com o tecnico Mancini em comparacao com o tecnico anterior, somente analisando a equipe (M.City) e os jogos dela (contexto). O que quero dizer é o seguinte: A mudanca de algum comportamento do City, acredito que global, pode ter feito a equipe levar menos gols, contudo, temos que entender que cada adversario é um modelo diferente de jogo, e portanto talvez os gols nao tenham nada haver com o comportamento do City mais sim com os dos adversarios.

Enfim, Julio, so vc analisando realmente como te falei.

julio disse...

ta obrigado

João Henrique disse...

Julio, um exemplo muito bom dessa avaliacao de jogo voce pode encontrar nesse link: http://www.universidadedofutebol.com.br/2009/12/3,11048,ESTUDIANTES+DE+LA+PLATA+VS+FC+BARCELONA+COMO+A+EQUIPE+ARGENTINA+%E2%80%9CAMARROU%E2%80%9D+A+EQUIPE+ESPANHOLA++E+POR+.aspx.

Na analise a cima o prof. Rodrigo Leitao relacionou o modelo de jogo, geometria, plataforma de jogo e outros de cada equipe e fez uma analise do jogo. Caso queiras podes analisar somente o time.

Abraco!