O animal satisfeito dorme (Guimarães Rosa)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Me engana que eu gosto

Tem uma música de Renato Russo denominado Geração Coca-Cola que um dos seus trechos diz o seguinte:

Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis.

Não sei se os leitores já repararam mas essa história de prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA é uma grande balela, que jamais podemos dizer que transmite a realidade, ou seja, realmente escolhem o melhor jogador do mundo.

O primeiro erro é pelo fato de não se pode escolher apenas um jogador melhor do mundo, pois cada jogador tem em campo funções diferentes e de igual nível de importância, então não posso dizer que uma função de um jogador x é mais importante que a função de um jogador y.

O segundo erro é que não se existe critério na votação, ou seja, quem deve ganhar o premio é quem possui uma melhor tática individual, quem tem uma maior importância coletiva em sua equipe, enfim, o critério existente é não existir critério.

O terceiro erro é que as pessoas que votam são os técnicos e capitães das 208 seleções afiliadas a FIFA, e como a maior parte desses técnicos e capitães não possuem conhecimento/estudo sobre o jogo de futebol, não podemos considerar a opinião deles como embasada na realidade.

O quarto erro é porque todo jogador esta (ou deveria) subordinado a um determinado modelo de jogo e ideias de um treinador, e o que pode ocorrer é que o modelo proposto por esse treinador pode não potencializar o jogar de um determinado jogador, além disso, a incapacidade de transmitir deveres ao jogador poderá/deverá atrapalhar o trabalho do mesmo, dessa forma teremos, no máximo, uma opinião deformada do mundo das ideias (realidade).

A questão é que não podemos deixar que a FIFA, imprensa e afins nos empurrem essas informações como verdadeiras e aceitemos confirmando de cabeça baixa. O prêmio de melhor do mundo da FIFA, a eleição dos craques do brasileirão da PLACAR e uma votação do Orkut possuem a mesma importância, ou seja, nenhuma.

2 comentários:

Breiller Pires disse...

Endosso seu discurso, João. Os erros e contrasensos foram bem apontados por você. Tanto que, este ano, Dunga e Lúcio sequer votaram no Messi em suas três opções. Mas o principal argumento é que não dá para escolher um melhor. É a frase mais batida dos boleiros, mas a mais pura verdade: futebol é coletivo. O fato do Messi destruir no Barcelona e passar despercebido na seleção argentina prova isso. O time do Barça dá mais condições ao Messi de mostrar seu talento, de se soltar em campo.

Seria justo escolher o melhor time do ano ou a melhor seleção. Ou, no mínimo, mais coerente.

Abraço!

João Henrique disse...

Concordo com você, Breiller, quando diz que seria uma boa escolher a melhor equipe ou seleção, desde que quem tivesse a missão de escolher fossem pessoas capacitadas para tanto e com critérios bem explicitados.
Forte Abraço!