O animal satisfeito dorme (Guimarães Rosa)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Duelo dos Iguais: Parte II

O Manchester enfrentou o Arsenal com um dever: Jogar fechado e compactado visando o contra-ataque rápido. Acabou dando certo e em 11 minutos a partida estava liquidada. Novamente a defesa bretâ foi consistente juntamente com o versátil e pragmático sistema ofensivo.

A estratégia escolhida por Ferguson foi um diversificado 4-5-1. Na primeira variação se formam duas linhas de quatro com Anderson centralizado na frente de Carrick e Fletcher (foto), na segunda variação Anderson recua e compõe o meio pela esquerda o que forma uma linha de cinco, já na terceira variação se formam duas linhas de quatro com o volante Carrick no meio delas. Lembrando que em todos os casos Ronaldo se mantém como atacante isolado.

A opção por Rooney como extremo foi mantida, aliás, o treinador gostou tanto que vem repetindo isso, enquanto o inglés atuou na extrema esquerda o sul-coreano Park veio pra mesma posição na direita, e era comum a inversão de posicionamento entre eles e o atacante.

Apesar de jogar no 4-5-1, quando se usa dois wingers a função deles se torna bem parecida com a dos pontas nos esquemas de três atacantes, com isso Park e Rooney pressionavam a saída de bola dos laterais adversários e Ronaldo os zagueiros. A opção pelo fraco Park pode se justificar devido sua velocidade, coisa necessária para cumprir a função, considerando que cabia aos wingers fazer ou participar de contra-ataques fulminantes com Cristiano e logo em seguida retroceder para guerrear na defesa.

A novidade no meio-campo foi o posicionamento de Anderson, o brasileiro jogou mais adiantado do que vinha atuando e teve mais liberdade para tentar criar e atacar, não é à toa que teve importância ímpar no primeiro dos três gols, Fletcher também foi um pouco solto pela direita, principalmente no segundo tempo, o jogador se vale da força fisica pra cumprir o papel de volantão carrasco - onde agregado a Carrick fazem a cobertura de Park, Anderson e Rooney - e ainda se confirmar no ataque. Até o critiquei uma vez aqui, mas volto atrás, esse cara é um baita volante.

Novamente houve uma consolidação defensiva, dos Red Devils, que se deu com a manutenção de uma linha defensiva fixa de quatro homens - O'Shea, Ferdinand, Vidic e Evra - durante todo o jogo, os laterais que tanto costumam dar apoio se mantiveram presos e seus percursos se limitaram da defesa a intermediária, essa última quando adiantavam a marcação, Evra por exemplo só correu 6 quilômetros em 65 minutos. Apesar dá criação dessa "muralha" defensiva os meias também priorizaram a defesa, havendo uma fluidez natural na ida e volta do ataque e um comprometimento tático cauteloso.

Nesse duelo de esquemas táticos iguais deu Manchester merecidamente, seus jogadores são em parte superiores aos do Arsenal e compreendem e aplicam a tática coletiva da maneira mais organizada possivel, isso inclusive é a chave da equipe, os Diabos vêm se caracterizando por ter "várias caras", um dia o time joga de tal jeito e no outro muda completamente, além disso o esquema pode ser alterado invertendo no decorrer da partida apenas a posição de alguns jogadores.

As próximas análises serão as partes I e III do "Duelo dos Iguais", que foi a melhor forma que encontrei para denominar os confrontos da final paulista e semifinais da Liga dos Campeões, pois em todas as disputas os esquemas foram praticamente os mesmos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Manchester é um time muito versatil
Cristiano Ronaldo por exemplo joga de centroavante, ponta, segundo atacante e de winger em uma linha de 4 no meio campo rooney tambem joga exatamente nessas posiçoes o coreano park tambem é muito verstail sem falar no anderson que joga geralmente de meia central e ontem por exeplo jogou com um meia atacante

flw abraços parabens pelo blog

João Henrique disse...

Com certeza, obrigado pela sua excelente observação. Acho que o maior trunfo do Manchester é exatamente essa versatilidade, qualidade essa que o Barcelona mostrou não possuir contra o Chelsea.
Abraços